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sábado, 4 de junho de 2016

O Livro de Solange - Primeira página



Capítulo Um


O rapaz magro e alto sorriu ao ver um sebo na avenida. Estava cansado demais, depois de passar o dia procurando emprego. Um livro, mesmo que usado, faria bem a sua alma naquele momento complicado por qual passava.
Entrou se deliciando com os milhares de livros de todos os tipos, grandes, pequenos, semi-novos, velhos, lidos e relidos.
Não tinha o que fazer a tarde toda, então decidiu explorar e esmiuçar as estantes atulhadas até encontrar algum tesouro. Seus olhos castanhos brilhavam com as aventuras ali encerradas, as histórias bem ou mal contadas, os ensinamentos sobre diversos assuntos. Ficção ou não-ficção, não importava. Ricardo Antônio Berille adorava ler. Lia até bula de remédio ou revista dos anos 1980 em consultório de dentista.
Seu rosto nada tinha de incomum, mas seu cabelo escuro, curto e bem cortado chamava a atenção. Fizera a barba para as entrevistas por qual passara naquele dia ensolarado e quente, mas sua ex-namorada sempre lhe dizia para deixá-la crescer, ou pelo menos, deixar o rosto com alguns pelos, de forma “bem máscula”, como ela costumava lhe dizer.
Suspirou. Marcinha era uma gata linda, mas seu romance com ela fora há séculos. Brigaram feio e ela acabou se casando com J. Pinto Fernandes, que não conhecia.
Depois de algum tempo, deparou-se com uma passagem estreita que levava a uma sala contígua. Passou de lado e deu uma risadinha ao ver alguns clássicos a preço de banana. Contudo, um livro de capa vermelha lhe chamou a atenção e ele o retirou com dificuldade de entre dois grossos volumes da “Enciclopédia Ilustrada Universal”.
O nome era estranho. “A Verdade Sobre o Amor”, escrito por um autor que nunca ouvira falar, H. G. Willians.  Na folha de rosto, estava uma dedicatória autografada para uma tal de Solange. A data era bem recente.
Solange - ou ele imaginara que era ela, pois a letra era diferente -, escrevera na página em branco, antes do primeiro capítulo: “Sei que este livro fará com que eu volte a ser eu mesma, que eu volte a amar”. Havia uma rosa seca grudada ao lado do texto. Surpreendido, Ricardo começou a ler o capítulo um: