Estou escrevendo o conto "Kyra e o Fim do Mundo" para o concurso do site www.contosfantasticos.com.br e outro para o concurso da FLIP que acontece em Agosto, então não deu para começar minha mini-série do Viajante ainda, mas aguardem!
E pretendo melhorar a "cara" do meu Blog, mas com tanto trabalho não consigo nem montar o computador novo que chegou ontem e ainda está na caixa!
Parece que o dia não rende. Eu quero escrever mais, etc, etc, etc mas não consigo!
P.S. Estou lendo "O Símbolo Perdido" do Dan Brown e gostando para valer! Mais tarde comentários aqui no Blog, que alías eu preciso melhorar.
Desculpem. Meu Blog está parecendo um página de classificados de jornal de terceira.
Blog de referência lindos mesmos são os da querida Lorna, especialista, e o Rubber Soul da Marisa, não só bonito mas gosto dos comentários e artigos dela.
Beijos para as Mulheres e Abraços para os Homens
sábado, 24 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Nova Série no meu Blog
Acompanhem a partir de hoje a série "Crônicas de Um Viajante Estelar" sobre um casal que viaja pelo Universo com seu iate estelar, em mini-capítulos semanais
terça-feira, 20 de abril de 2010
Raiva
Vocês já perceberam o trabalho imenso e muitas vezes sem resultado quando você tenta: a) cancelar um serviço b) reclamar de um serviço c) alterar um serviço?
Só entre a semana passada e esta precisei reclamar que não recebi um exemplar de 4 rodas na Editora Abril. Queriam adicionar um exemplar a mais no fim da assinatura. Eu disse que não! Primeiro que já houve uma outra vez que reclamei e disseram a mesma coisa e nada de exemplar a mais, segundo que faço coleção, por erro e incompetência deles eu tenho que comprar na banca? Para que assinar? Só sei que não vou renovar a assinatura. Façam o mesmo!!!
O seguro do meu carro, ao renovar, aumentaram 63% sem motivo (não usei!). Achei outra seguradora, por preço condizente e franquia bem menor. E quem disse que consigo falar na seguradora atual para cancelar o anterior e mudar???? O sistema está fora do ar, ninguém atende... Anotem aí: seguradora do Itaú, Itaú seguros.
Um dos meus seguros de vida aumentou 80% sem eu mudar de classe de idade, sem motivo nenhum, e ainda tinham mandado um aviso de renovação de 5%, que não cumpriram. Mandei cancelar na hora. Mas perdi um tempão. Seguro de vida do Mastercard.
A Telefônica aumentou o custo do telefone fixo em 43% em janeiro, sem avisar, e ainda eu tinha plano ilimitado que agora passou a 300 minutos, e ninguém usa o telefone fixo, e cobram execedente de minutos. Aí virou piada. Não consigo reclamar com ninguém!!!! É um tal de passa para um, passa para outro, ninguém sabe, ninguem viu, cai a ligação... Essa estou preparando para entrar com um processo, gravando cada ligação telefônica para eles. Vou reunir o máximo de provas e informações e conto com a ajuda de um excelente advogado.
Código do Consumidor? Isso é piada. Agora experimenta deixar de pagar para ver como funciona direitinho o serviço de cobrança deles.
Decidi agora gravar cada ligação que faço, e divulgar cada empresa que presta lixo de atendimento e serviço, pensando que a gente é burro. E cancelo tudo que faz um A contra mim.
Se o pessoal se reunir, consegue derrubar essa corja destas empresas que são puro lixo e que deviam era falir. Se mandinga resolve, já comprei a galinha preta para o serviço.
Desculpem a raiva!!!!
Só entre a semana passada e esta precisei reclamar que não recebi um exemplar de 4 rodas na Editora Abril. Queriam adicionar um exemplar a mais no fim da assinatura. Eu disse que não! Primeiro que já houve uma outra vez que reclamei e disseram a mesma coisa e nada de exemplar a mais, segundo que faço coleção, por erro e incompetência deles eu tenho que comprar na banca? Para que assinar? Só sei que não vou renovar a assinatura. Façam o mesmo!!!
O seguro do meu carro, ao renovar, aumentaram 63% sem motivo (não usei!). Achei outra seguradora, por preço condizente e franquia bem menor. E quem disse que consigo falar na seguradora atual para cancelar o anterior e mudar???? O sistema está fora do ar, ninguém atende... Anotem aí: seguradora do Itaú, Itaú seguros.
Um dos meus seguros de vida aumentou 80% sem eu mudar de classe de idade, sem motivo nenhum, e ainda tinham mandado um aviso de renovação de 5%, que não cumpriram. Mandei cancelar na hora. Mas perdi um tempão. Seguro de vida do Mastercard.
A Telefônica aumentou o custo do telefone fixo em 43% em janeiro, sem avisar, e ainda eu tinha plano ilimitado que agora passou a 300 minutos, e ninguém usa o telefone fixo, e cobram execedente de minutos. Aí virou piada. Não consigo reclamar com ninguém!!!! É um tal de passa para um, passa para outro, ninguém sabe, ninguem viu, cai a ligação... Essa estou preparando para entrar com um processo, gravando cada ligação telefônica para eles. Vou reunir o máximo de provas e informações e conto com a ajuda de um excelente advogado.
Código do Consumidor? Isso é piada. Agora experimenta deixar de pagar para ver como funciona direitinho o serviço de cobrança deles.
Decidi agora gravar cada ligação que faço, e divulgar cada empresa que presta lixo de atendimento e serviço, pensando que a gente é burro. E cancelo tudo que faz um A contra mim.
Se o pessoal se reunir, consegue derrubar essa corja destas empresas que são puro lixo e que deviam era falir. Se mandinga resolve, já comprei a galinha preta para o serviço.
Desculpem a raiva!!!!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Amiga Virtual
AMIGA VIRTUAL
Eu gosto de Internet. Atualmente quem não gosta? Passo horas na frente de um micro. Adoro teclar. Chats, e-mails, blogs, web pages do mundo todo...
E foi num dia comum que liguei meu micro, entrei mais uma vez na rede e fui dar uma olhada nas dezenas de e-mails que recebo diariamente...spams...propagandas...piadas engraçadas e sem graça...tudo normal, exceto por uma única mensagem que dizia:
“Diego, estou muito sozinha e gostaria de falar com você”
Era um e-mail sem remetente (!) e sem assunto (!), mas a pessoa sabia o meu nome. Assustei-me, afinal podia ter algum vírus ou algo assim, eu nunca havia recebido um e-mail sem remetente! Como eu responderia? E quem gostaria de falar comigo? Eu estava sem namorada há meses, desde a formatura eu havia perdido contato com meus amigos...e amigas... Então, de quem era aquele e-mail misterioso? De quem poderia ser?
Fiquei um tempão matutando e resolvi clicar em “Responder ao Remetente” no meu gerenciador de e-mails. Escrevi:
“Quem gostaria de falar comigo?”
E remeti. Não precisei esperar muito (o que foi estranho), e menos de dois minutos depois, ao clicar no “Enviar e Receber”, a resposta apareceu (ela devia estar on-line).
“Meu nome é Cristine. Você não deve mais se lembrar de mim, mas às vezes eu o vejo em seu trabalho, em sua casa... Estou com saudades e estou sozinha. Quero conversar com você”
Mandei-lhe outro e-mail, perguntando-lhe se não tinha algo como o MSN ou Skype ou outro software para conversarmos on-line. Seria bem melhor que ficar trocando e-mails o tempo todo. A resposta também veio rápida (o provedor dela devia ser o mesmo que o meu e não devia haver muito tráfego):
“Sinto muito, já foi difícil conseguir lhe enviar alguma coisa, e para falar a verdade não entendo muito de computadores. Só quero conversar, Diego”
Sorri para mim mesmo e resolvi que devia conversar com ela, mesmo daquele jeito inusitado:
“Cristine, desculpe não me recordar de vc. De onde tcls?”
Não esperei nem um minuto para receber a resposta:
“Por favor, não entendo muito de internet, não abrevie as coisas nem use termos técnicos. Onde estou agora? Próxima de você... Mas isso não importa. Sabe, acho você uma pessoa sensível, inteligente, tem ótimas idéias... Você é tímido, mas se falasse com os outros, respirasse fundo e dissesse tudo o que pensa, seus colegas te respeitariam. Mas você é carrancudo, mau-humarado, e se afasta... A vida não é um quarto escuro com um computador, um escritório com ar condicionado e você, engravatado, tomando café com um colega falando mal dos outros. Não é você não dormir pensando nas dívidas, ou invejando o colega que tem um carrão novo. Diego, pense. Você é feliz? Você não acha que viver é ser feliz a maior tempo possível?
Estremeci na cadeira diante da tela do computador. Como ela sabia tanto de mim? E ela havia dito, ops, escrito, que às vezes me via em casa e no trabalho. Como? Quem é essa Cristine?
“Me responda: quem é você? Como sabe tanto sobre mim? E do que você está falando?”
Confesso que hesitei antes de clicar o “Enviar e Receber” a segunda vez, para receber sua resposta. E lá estava ela:
“Tente relembrar: uma antiga amiga de infância. E sei sobre você porque, como você foi um grande amiguinho meu, resolvi lhe visitar. E te conhecer melhor. Descobri que você é um grande cara, mas está escondendo isso. Você é muito negativo, pessimista. Acha que tudo vai dar errado. Mas tem ótimas idéias. Tem potencial. Mas você não vive direito! Pois, Diego, eu lhe afirmo que a vida, que lhe foi dada por Deus, é para ser aproveitada. Ora, com isso não quero dizer que você deva largar tudo e viver sem responsabilidades, isso não. Mas também apenas se preocupar, trabalhar apenas pelo dinheiro, estar sempre achando ruim as coisas que lhe acontecem, isso é vegetar. Falar mal dos outros, que horror: você tem defeitos também. Viva mais despreocupado! A vida é uma só! Viaje, faça o que gosta, dance na chuva, faça amor, beba um vinho (pouco!), enfim, aproveite!! E se algo der errado, dê um berro e depois sorria e fale: podia ser pior. A vida é curta e é para ser vivida, e para se passar com mais prazeres e felicidades do que tristezas!
Eu não me lembrava de nenhuma Cristine, mas o que ela escrevia fazia certo sentido, mas eu estava vacinado: recebia tantas mensagens como aquela, apresentações com mensagens e figuras bonitas, correntes, que aquilo tudo não me afetava. Escrevi:
“Cris, caia na real. Estou num projeto grande e meu gerente diz que se não ficar pronto até a semana que vem a equipe inteira será despedida. Eu vou ficar sem emprego! Como vou pagar minhas dívidas? Se eu sair berrando por aí e dançando na chuva vão me chamar de louco. Fazer amor com quem, se estou sozinho, sem namorada? Olha, estou estressado, desanimado, o aluguel subiu, meu time perdeu e o governo só faz coisas que me deixam nervoso. Não gosto de vinho e meu melhor amigo me deve uma grana e não paga, que merda de vida! E você com essa estória louca...”
O e-mail dela chegou rapidinho:
“Diego, diego, meu amiguinho, você era mais feliz quando era pequeno e nos conhecemos, não era? Brincava ao Sol, ria, era ingênuo... Se você perder o emprego, é claro que pode se endividar, mas vai morrer por isso? Pode ser que arrume coisa bem melhor... Deus fecha uma porta e abre outra, e se você não estiver olhando... E se te acharem louco, pirado, o que isso tem de ruim? Desde que você não atrapalhe ninguém, não mate ninguém... E você já pensou em se vestir melhor, se arrumar melhor, ser uma pessoa simpática e bem humorada que cumprimenta a todos? Logo vai surgir alguém na sua vida, mas não seja tão exigente: pode não ser a mais bonita ou a mais inteligente... Mas se for uma grande companheira, que é sua cúmplice, que faz você feliz, que você se sente bem em cuidar dela? Seu time perdeu, e daí? Pense: o que está errado contigo? Se você é negativo, atrai coisas negativas... Ah, e quanto as dívidas? Faça só as necessárias! Bem materiais? Só aqueles que lhe dão algum conforto e prazer: status não serve para nada. Já comprou algo caro com muito status que está agora jogado em algum quanto e lhe deixou com um gosto amargo na boca logo depois de comprá-lo? Quando você morrer, você não vai levar nada, meu amigo. É claro que se você tem herdeiros, é sábio deixá-los amparados, mas só o suficiente para se virarem. Entendeu? Deixe de ser burro! A vida só é vivida uma vez! Seu bobo, solte-se e faça a maior parte do tempo o que lhe dá prazer!
Respondi-lhe meio confuso com tudo aquilo:
“Sabe, você parece me conhecer muito bem. Quero vê-la, falar com você pessoalmente”
O e-mail dela veio em seguida:
“Acho que vai demorar um pouco, mas vamos nos encontrar. E eu lhe conheço bem! Sei, por exemplo, que você é muito egoísta! Eu lhe falei em fazer coisas que lhe deixam feliz a maior parte do tempo, certo? Pois bem! Faça isso, mas nunca, de modo algum, prejudique alguém no processo. Nunca machuque alguém! E ajude os outros e você verá o quanto isso é prazeiroso. Ah! Não queira receber as glórias por isso. Já haverá Alguém lhe observando e lhe julgando. Sabe, tudo que falei é fácil de fazer quando você começa. Então vá a luta! Viva para si e para seus colegas!”
Escrevi, ainda desconcertado:
“Tudo que você me disse é muito bonito e vou tentar realizar. Mas tenho medo. Tenho medo de ser ridículo. Não durmo a noite pensando no que meu gerente me fala, me pressionando o tempo todo. Não me dou bem com meu vizinho! O que eu faço? E você, gostaria de saber como você é. Vamos falar de você!”
Aguardei ansioso seu e-mail de retorno:
“Mande seu gerente a merda! Procure outro emprego, você é capaz, ficar aí sendo pressionado! Quando você morrer, tudo isso não vai ter importância nenhuma. E converse com calma com seu vizinho, tente ficar amigo dele... Às vezes é só um mau entendido e falta de conversa. Não tenha medo de ser rídiculo! Viva! O que os outros pensam não vale nada, exceção, claro, o que pensa sua amada... Você vai encontrá-la. Quanto a mim, estou bem, mas gostaria de ter tido a suas chances! E se você está pensando em minha aparência física, bem, acho que não sou seu tipo... Sou uma amiga! Mas nos encontraremos e você entenderá tudo. Bem, preciso ir agora. Mas mantenha sempre esta frase em sua cabeça: a vida é curta e Deus nos fez para sermos felizes e fazermos os outros serem felizes.
Estremeci. Queria conhecer essa tal de Cristine:
“Não vá! Onde você está? Eu vou até aí! Quero conversar com você pessoalmente!”
“Sinto muito. Estou perto, mas estou longe, muito longe... Tchau, preciso ir”
Cliquei tanto o botão “Enviar e Receber” que quebrei o botão do mouse. Quem seria essa Cristine? Fiquei mais duas horas, saía, comia, bebia, voltava e procurava ver se havia algo, mas nada da Cristine. Cristine! Cadê você? Como você sabe tanto sobre mim?
Já exausto, onze da noite, fui (tentar) dormir, pensando no trabalho de amanhã. Cristine? Outra que me deixou, pensei.
E naquela noite dormi como um anjo. Dormi profundamente, e devo ter tido belos sonhos, mas não me lembrei de nenhum quando acordei, já quase oito, perdendo hora.
Resolvi não ir trabalhar. Cristine estava certa, e naquele dia resolvi só fazer coisas que eu gostava, como ouvir música, ir nadar, caminhar, ler... Conversar com antigos colegas... E decidi que no dia seguinte, ao ir trabalhar, teria uma longa e sincera conversa com meu gerente, expondo inclusive ideias antigas que escondia de medo de rirem de mim!
Iria também perdoar a dívida de um amigo na pior, ser voluntário de alguma coisa, escrever sobre algo que ajudasse alguém...
Enquanto tomava o café da manhã, feliz, alegre por minhas decisões, lembrei-me de súbito de Cristine. Ela era minha amiguinha do primário. Sempre amigos! Mas...Arrepiei-me até o fundo da alma. Ela havia morrido aos doze anos num acidente de carro. Larguei a xícara que caiu, quebrando, no chão. Tremia como vara verde. Engoli seco.
Corri ao quarto do computador. Ele não ligava! Suando frio, olhei atrás do móvel: a tomada do computador estivera desconectada o tempo todo!
Eu gosto de Internet. Atualmente quem não gosta? Passo horas na frente de um micro. Adoro teclar. Chats, e-mails, blogs, web pages do mundo todo...
E foi num dia comum que liguei meu micro, entrei mais uma vez na rede e fui dar uma olhada nas dezenas de e-mails que recebo diariamente...spams...propagandas...piadas engraçadas e sem graça...tudo normal, exceto por uma única mensagem que dizia:
“Diego, estou muito sozinha e gostaria de falar com você”
Era um e-mail sem remetente (!) e sem assunto (!), mas a pessoa sabia o meu nome. Assustei-me, afinal podia ter algum vírus ou algo assim, eu nunca havia recebido um e-mail sem remetente! Como eu responderia? E quem gostaria de falar comigo? Eu estava sem namorada há meses, desde a formatura eu havia perdido contato com meus amigos...e amigas... Então, de quem era aquele e-mail misterioso? De quem poderia ser?
Fiquei um tempão matutando e resolvi clicar em “Responder ao Remetente” no meu gerenciador de e-mails. Escrevi:
“Quem gostaria de falar comigo?”
E remeti. Não precisei esperar muito (o que foi estranho), e menos de dois minutos depois, ao clicar no “Enviar e Receber”, a resposta apareceu (ela devia estar on-line).
“Meu nome é Cristine. Você não deve mais se lembrar de mim, mas às vezes eu o vejo em seu trabalho, em sua casa... Estou com saudades e estou sozinha. Quero conversar com você”
Mandei-lhe outro e-mail, perguntando-lhe se não tinha algo como o MSN ou Skype ou outro software para conversarmos on-line. Seria bem melhor que ficar trocando e-mails o tempo todo. A resposta também veio rápida (o provedor dela devia ser o mesmo que o meu e não devia haver muito tráfego):
“Sinto muito, já foi difícil conseguir lhe enviar alguma coisa, e para falar a verdade não entendo muito de computadores. Só quero conversar, Diego”
Sorri para mim mesmo e resolvi que devia conversar com ela, mesmo daquele jeito inusitado:
“Cristine, desculpe não me recordar de vc. De onde tcls?”
Não esperei nem um minuto para receber a resposta:
“Por favor, não entendo muito de internet, não abrevie as coisas nem use termos técnicos. Onde estou agora? Próxima de você... Mas isso não importa. Sabe, acho você uma pessoa sensível, inteligente, tem ótimas idéias... Você é tímido, mas se falasse com os outros, respirasse fundo e dissesse tudo o que pensa, seus colegas te respeitariam. Mas você é carrancudo, mau-humarado, e se afasta... A vida não é um quarto escuro com um computador, um escritório com ar condicionado e você, engravatado, tomando café com um colega falando mal dos outros. Não é você não dormir pensando nas dívidas, ou invejando o colega que tem um carrão novo. Diego, pense. Você é feliz? Você não acha que viver é ser feliz a maior tempo possível?
Estremeci na cadeira diante da tela do computador. Como ela sabia tanto de mim? E ela havia dito, ops, escrito, que às vezes me via em casa e no trabalho. Como? Quem é essa Cristine?
“Me responda: quem é você? Como sabe tanto sobre mim? E do que você está falando?”
Confesso que hesitei antes de clicar o “Enviar e Receber” a segunda vez, para receber sua resposta. E lá estava ela:
“Tente relembrar: uma antiga amiga de infância. E sei sobre você porque, como você foi um grande amiguinho meu, resolvi lhe visitar. E te conhecer melhor. Descobri que você é um grande cara, mas está escondendo isso. Você é muito negativo, pessimista. Acha que tudo vai dar errado. Mas tem ótimas idéias. Tem potencial. Mas você não vive direito! Pois, Diego, eu lhe afirmo que a vida, que lhe foi dada por Deus, é para ser aproveitada. Ora, com isso não quero dizer que você deva largar tudo e viver sem responsabilidades, isso não. Mas também apenas se preocupar, trabalhar apenas pelo dinheiro, estar sempre achando ruim as coisas que lhe acontecem, isso é vegetar. Falar mal dos outros, que horror: você tem defeitos também. Viva mais despreocupado! A vida é uma só! Viaje, faça o que gosta, dance na chuva, faça amor, beba um vinho (pouco!), enfim, aproveite!! E se algo der errado, dê um berro e depois sorria e fale: podia ser pior. A vida é curta e é para ser vivida, e para se passar com mais prazeres e felicidades do que tristezas!
Eu não me lembrava de nenhuma Cristine, mas o que ela escrevia fazia certo sentido, mas eu estava vacinado: recebia tantas mensagens como aquela, apresentações com mensagens e figuras bonitas, correntes, que aquilo tudo não me afetava. Escrevi:
“Cris, caia na real. Estou num projeto grande e meu gerente diz que se não ficar pronto até a semana que vem a equipe inteira será despedida. Eu vou ficar sem emprego! Como vou pagar minhas dívidas? Se eu sair berrando por aí e dançando na chuva vão me chamar de louco. Fazer amor com quem, se estou sozinho, sem namorada? Olha, estou estressado, desanimado, o aluguel subiu, meu time perdeu e o governo só faz coisas que me deixam nervoso. Não gosto de vinho e meu melhor amigo me deve uma grana e não paga, que merda de vida! E você com essa estória louca...”
O e-mail dela chegou rapidinho:
“Diego, diego, meu amiguinho, você era mais feliz quando era pequeno e nos conhecemos, não era? Brincava ao Sol, ria, era ingênuo... Se você perder o emprego, é claro que pode se endividar, mas vai morrer por isso? Pode ser que arrume coisa bem melhor... Deus fecha uma porta e abre outra, e se você não estiver olhando... E se te acharem louco, pirado, o que isso tem de ruim? Desde que você não atrapalhe ninguém, não mate ninguém... E você já pensou em se vestir melhor, se arrumar melhor, ser uma pessoa simpática e bem humorada que cumprimenta a todos? Logo vai surgir alguém na sua vida, mas não seja tão exigente: pode não ser a mais bonita ou a mais inteligente... Mas se for uma grande companheira, que é sua cúmplice, que faz você feliz, que você se sente bem em cuidar dela? Seu time perdeu, e daí? Pense: o que está errado contigo? Se você é negativo, atrai coisas negativas... Ah, e quanto as dívidas? Faça só as necessárias! Bem materiais? Só aqueles que lhe dão algum conforto e prazer: status não serve para nada. Já comprou algo caro com muito status que está agora jogado em algum quanto e lhe deixou com um gosto amargo na boca logo depois de comprá-lo? Quando você morrer, você não vai levar nada, meu amigo. É claro que se você tem herdeiros, é sábio deixá-los amparados, mas só o suficiente para se virarem. Entendeu? Deixe de ser burro! A vida só é vivida uma vez! Seu bobo, solte-se e faça a maior parte do tempo o que lhe dá prazer!
Respondi-lhe meio confuso com tudo aquilo:
“Sabe, você parece me conhecer muito bem. Quero vê-la, falar com você pessoalmente”
O e-mail dela veio em seguida:
“Acho que vai demorar um pouco, mas vamos nos encontrar. E eu lhe conheço bem! Sei, por exemplo, que você é muito egoísta! Eu lhe falei em fazer coisas que lhe deixam feliz a maior parte do tempo, certo? Pois bem! Faça isso, mas nunca, de modo algum, prejudique alguém no processo. Nunca machuque alguém! E ajude os outros e você verá o quanto isso é prazeiroso. Ah! Não queira receber as glórias por isso. Já haverá Alguém lhe observando e lhe julgando. Sabe, tudo que falei é fácil de fazer quando você começa. Então vá a luta! Viva para si e para seus colegas!”
Escrevi, ainda desconcertado:
“Tudo que você me disse é muito bonito e vou tentar realizar. Mas tenho medo. Tenho medo de ser ridículo. Não durmo a noite pensando no que meu gerente me fala, me pressionando o tempo todo. Não me dou bem com meu vizinho! O que eu faço? E você, gostaria de saber como você é. Vamos falar de você!”
Aguardei ansioso seu e-mail de retorno:
“Mande seu gerente a merda! Procure outro emprego, você é capaz, ficar aí sendo pressionado! Quando você morrer, tudo isso não vai ter importância nenhuma. E converse com calma com seu vizinho, tente ficar amigo dele... Às vezes é só um mau entendido e falta de conversa. Não tenha medo de ser rídiculo! Viva! O que os outros pensam não vale nada, exceção, claro, o que pensa sua amada... Você vai encontrá-la. Quanto a mim, estou bem, mas gostaria de ter tido a suas chances! E se você está pensando em minha aparência física, bem, acho que não sou seu tipo... Sou uma amiga! Mas nos encontraremos e você entenderá tudo. Bem, preciso ir agora. Mas mantenha sempre esta frase em sua cabeça: a vida é curta e Deus nos fez para sermos felizes e fazermos os outros serem felizes.
Estremeci. Queria conhecer essa tal de Cristine:
“Não vá! Onde você está? Eu vou até aí! Quero conversar com você pessoalmente!”
“Sinto muito. Estou perto, mas estou longe, muito longe... Tchau, preciso ir”
Cliquei tanto o botão “Enviar e Receber” que quebrei o botão do mouse. Quem seria essa Cristine? Fiquei mais duas horas, saía, comia, bebia, voltava e procurava ver se havia algo, mas nada da Cristine. Cristine! Cadê você? Como você sabe tanto sobre mim?
Já exausto, onze da noite, fui (tentar) dormir, pensando no trabalho de amanhã. Cristine? Outra que me deixou, pensei.
E naquela noite dormi como um anjo. Dormi profundamente, e devo ter tido belos sonhos, mas não me lembrei de nenhum quando acordei, já quase oito, perdendo hora.
Resolvi não ir trabalhar. Cristine estava certa, e naquele dia resolvi só fazer coisas que eu gostava, como ouvir música, ir nadar, caminhar, ler... Conversar com antigos colegas... E decidi que no dia seguinte, ao ir trabalhar, teria uma longa e sincera conversa com meu gerente, expondo inclusive ideias antigas que escondia de medo de rirem de mim!
Iria também perdoar a dívida de um amigo na pior, ser voluntário de alguma coisa, escrever sobre algo que ajudasse alguém...
Enquanto tomava o café da manhã, feliz, alegre por minhas decisões, lembrei-me de súbito de Cristine. Ela era minha amiguinha do primário. Sempre amigos! Mas...Arrepiei-me até o fundo da alma. Ela havia morrido aos doze anos num acidente de carro. Larguei a xícara que caiu, quebrando, no chão. Tremia como vara verde. Engoli seco.
Corri ao quarto do computador. Ele não ligava! Suando frio, olhei atrás do móvel: a tomada do computador estivera desconectada o tempo todo!
Tragédias
Gostaria de poder fazer mais do que só enviar donativos e rezar à essa gente sofrida das últimas tragédias do Rio e Niterói.
Pensei até mesmo em ir até lá e ser um voluntário, porque sinto uma dor no coração ao ver o que aconteceu, mas minha família não deixou, tudo bem, não tenho a força física que queria ter, eu só iria atrapalhar.
Se pensamentos positivos e força espiritual adiantar de alguma coisa, pelo menos isso eu posso fazer. Que o Deus e a Deusa do Universo cuidem daqueles que estão lá agora e acolha os mortos bem no Além Universo.
Sentimentos tristes. Um minuto de silêncio
Pensei até mesmo em ir até lá e ser um voluntário, porque sinto uma dor no coração ao ver o que aconteceu, mas minha família não deixou, tudo bem, não tenho a força física que queria ter, eu só iria atrapalhar.
Se pensamentos positivos e força espiritual adiantar de alguma coisa, pelo menos isso eu posso fazer. Que o Deus e a Deusa do Universo cuidem daqueles que estão lá agora e acolha os mortos bem no Além Universo.
Sentimentos tristes. Um minuto de silêncio
sábado, 3 de abril de 2010
A Churrascaria (Parte III - Final)
Ouviram automóveis.
- A estrada, Tel! Força, se a gente chegar na estrada a gente se salva!
Apesar de não conseguirem vê-la, ouviam os carros e caminhões cada vez mais perto na movimentada rodovia.
Um último arbusto vencido e subiram por um barranco de terra até o acostamento da estrada. Os veículos passavam zuinindo e o casal fez sinais e pulou, mas ninguém sequer diminuiu a velocidade.
- Tel, eles não vão parar. Vamos correr até um outro posto.
- Eu vou me jogar na frente de algum carro, Di. Ou então vou levantar o meu top e mostrar os peitos que alguém para, ah, se para!
- Não diga bobagem. Vamos!
E correram pelo acostamento. Avistaram um posto da Polícia Rodoviária e contentes apertaram as passadas.
Ofegantes explicaram aos solícitos guardas rodoviários tudo o que viram e ouviram. É claro que não acreditaram e um deles chegou a fazer teste do bafômetro tanto em Adilson quanto em Telma.
O tenente Villar finalmente concordou em pelo menos verificar a churrascaria.
- Subam na viatura. Eu sempre almoço no El Corazon e nunca soube de nada errado, a carne que servem lá é picanha, cupim, coração de galinha...
- Por favor, seu guarda, - Telma estava totalmente aflita - eu vi uma mulher sendo assada na churrasqueira, eles comem mulher lá!
Os outros guardas explodiram em risadas. O tenente Villar demonstrou paciência.
- Não se preocupe, cidadã, vamos averiguar.
A viatura parou no estacionamento lotado do El Corazon. Todos desceram. Telma estava relutante.
- Eu não quero voltar aí.... Chamem os meus pais!
- Eu vou com eles, Tel. Olha, seus guardas, vamos primeiro falar com os pais da minha namorada e ver se tá tudo bem, certo?
Villar e os outros dois policiais concordaram e os quatro entraram na churrascaria cheia de gente. Adilson avistou Jorge e Elza. Chegou até eles, nervoso.
- Eu explico depois. Por favor, saiam. A Telma está lá fora no carro de polícia.
Jorge ficou extremamente irritado e colocou-se de pé, apontando o dedo em riste para Adilson.
- O que você aprontou? Se machucou minha filha eu te mato!
- Calma, doutor – disse Villar. E contou tudo o que Adilson e Telma lhes dissera.
- Isso é um absurdo completo. Adilson, você deu drogas à minha filha?
Elza levantou-se e segurou os braços do tenente Villar.
- Nós nem almoçamos ainda. Estávamos aqui nervosos esperando esses dois que nunca voltavam. Estamos aqui à horas, o gerente saiu à procura deles. Será verdade essa história absurda?
- Claro que não, esses dois aprontaram alguma! – Jorge já gritava.
Villar fez um sinal e os outros dois policiais seguiram-no, as mãos segurando o cabo das armas no coldre.
Chegaram ao quintal da churrascaria. Não havia nada lá. Verificaram tudo. Um dos policiais checou a cozinha, outro experimentou as carnes.
Voltaram e sentenciaram aos pais de Telma e à Adilson:
- Não há nada de anormal aqui. Nada! Rapaz, quero que você e sua namorada me acompanhem até o posto, que quero interrogá-los. Essa brincadeira vai custar caro à vocês! Venham!
Dois dias depois e Telma acordou de um pesadelo. Lavou o rosto, escovou os dentes e desceu tomar café da manhã, já estavam em casa depois dos problemas e da longa viagem de volta.
- Ainda bem que você está de férias, né, filha? – Disse Elza ao servi-lhe o leite.
- Ainda bem, mãe. Não ia ter saco para ir à faculdade depois de tudo.
Elza saiu da cozinha. Telma passou geléia no pão e o devorou, ficara dois dias sem comer e estava faminta.
Seu pai entrou sorrindo.
- Bom dia, filha, tudo bem?
- Sim, pai. O Adilson ligou? Desde que voltamos ele não me liga.
- Ele está bem pertinho de você, agora, filha.
- Hein?
- Gostou da geléia?
- Eu... Gostei, tem um gosto diferente.
- Pois é. Essa geléia foi feita do cérebro do seu namorado. Em bem que disse que ele tinha o miolo mole.
Telma deu um pulo, cuspiu e teve ânsias. Olhou seu pai, chocada.
- Como? Pai, não brinca...
- Não é brincadeira. Veja ali naquele vidro em cima da geladeira.
Telma olhou aterrorizada o vidro enorme sobre a geladeira. A cabeça de Adilson, sem seu cérebro, olhava para ela com os olhos arregalados.
Seu grito foi de gelar o sangue. Ela desmaiou.
Quando acordou, estava amordaçada. Estava amarrada em sua cama.
Seu pai entrou com um açougueiro gordo, com o avental sujo de sangue e segurando dois enormes facões.
- Veja, Telma, este é o dono da El Corazon. Ele ensinou eu e sua mãe a apreciarmos carne de primeira. Seu namorado rendeu um belo churrasco.
Telma tentou soltar-se e gritar, mas estava bem presa e amordaçada. Ela começou a tremer violentamente.
- Bem, sr. Ruffinno, quero-a bem fatiada. Meus amigos vem para a churrascada amanhã e eu e Elza queremos serví-la mal-passada.
- Pode deixar. Já preparei a churrasqueira e meu churrasqueiro vai salgá-la bem, nós a assaremos viva em sal grosso.
- Adeus, Telma. Tente relaxar enquanto é cozinhada, senão sua carne fica muito dura.
Seu pai saiu e fechou a porta. Ruffino desamarrou-a.
- Tire suas roupas. Não dá para assar você de roupas. Se ficar calma morre mais rápido e não sofre tanto.
Telma mostrou-se passiva e fez que ia tirar a blusa. Mas virou-se, e com rapidez tomou um dos facões de Ruffinno e meteu-lhe no estômago.
- Morre você, filho-da-puta! – E enfiou-lhe o facão várias vezes. O açougueiro titubeou.
Então, para completa surpresa de Telma, ele se recompôs. Tirou o facão enterrado da barriga. – Tsc, tsc, tsc. Que feio. A comida querendo matar o cozinheiro.
Telma começou a chorar:
- O... O quê é você? Você não pode estar vivo, não pode!
- E não estou. Nem seu pai, nem sua mãe. A churrascaria El Corazon é o local de reunião dos zumbis carnívoros. Nós já morremos, mas um vírus nos fez levantar dos túmulos e viver de carne humana. Só a carne humana nos alimenta.
- Não... Não, por favor, não... É um pesadelo...
- Sinto muito, querida, mas não é. E não vou ficar discutindo com a comida. Agora, se for boazinha e despir-se, tudo fica mais fácil...
FIM
- A estrada, Tel! Força, se a gente chegar na estrada a gente se salva!
Apesar de não conseguirem vê-la, ouviam os carros e caminhões cada vez mais perto na movimentada rodovia.
Um último arbusto vencido e subiram por um barranco de terra até o acostamento da estrada. Os veículos passavam zuinindo e o casal fez sinais e pulou, mas ninguém sequer diminuiu a velocidade.
- Tel, eles não vão parar. Vamos correr até um outro posto.
- Eu vou me jogar na frente de algum carro, Di. Ou então vou levantar o meu top e mostrar os peitos que alguém para, ah, se para!
- Não diga bobagem. Vamos!
E correram pelo acostamento. Avistaram um posto da Polícia Rodoviária e contentes apertaram as passadas.
Ofegantes explicaram aos solícitos guardas rodoviários tudo o que viram e ouviram. É claro que não acreditaram e um deles chegou a fazer teste do bafômetro tanto em Adilson quanto em Telma.
O tenente Villar finalmente concordou em pelo menos verificar a churrascaria.
- Subam na viatura. Eu sempre almoço no El Corazon e nunca soube de nada errado, a carne que servem lá é picanha, cupim, coração de galinha...
- Por favor, seu guarda, - Telma estava totalmente aflita - eu vi uma mulher sendo assada na churrasqueira, eles comem mulher lá!
Os outros guardas explodiram em risadas. O tenente Villar demonstrou paciência.
- Não se preocupe, cidadã, vamos averiguar.
A viatura parou no estacionamento lotado do El Corazon. Todos desceram. Telma estava relutante.
- Eu não quero voltar aí.... Chamem os meus pais!
- Eu vou com eles, Tel. Olha, seus guardas, vamos primeiro falar com os pais da minha namorada e ver se tá tudo bem, certo?
Villar e os outros dois policiais concordaram e os quatro entraram na churrascaria cheia de gente. Adilson avistou Jorge e Elza. Chegou até eles, nervoso.
- Eu explico depois. Por favor, saiam. A Telma está lá fora no carro de polícia.
Jorge ficou extremamente irritado e colocou-se de pé, apontando o dedo em riste para Adilson.
- O que você aprontou? Se machucou minha filha eu te mato!
- Calma, doutor – disse Villar. E contou tudo o que Adilson e Telma lhes dissera.
- Isso é um absurdo completo. Adilson, você deu drogas à minha filha?
Elza levantou-se e segurou os braços do tenente Villar.
- Nós nem almoçamos ainda. Estávamos aqui nervosos esperando esses dois que nunca voltavam. Estamos aqui à horas, o gerente saiu à procura deles. Será verdade essa história absurda?
- Claro que não, esses dois aprontaram alguma! – Jorge já gritava.
Villar fez um sinal e os outros dois policiais seguiram-no, as mãos segurando o cabo das armas no coldre.
Chegaram ao quintal da churrascaria. Não havia nada lá. Verificaram tudo. Um dos policiais checou a cozinha, outro experimentou as carnes.
Voltaram e sentenciaram aos pais de Telma e à Adilson:
- Não há nada de anormal aqui. Nada! Rapaz, quero que você e sua namorada me acompanhem até o posto, que quero interrogá-los. Essa brincadeira vai custar caro à vocês! Venham!
Dois dias depois e Telma acordou de um pesadelo. Lavou o rosto, escovou os dentes e desceu tomar café da manhã, já estavam em casa depois dos problemas e da longa viagem de volta.
- Ainda bem que você está de férias, né, filha? – Disse Elza ao servi-lhe o leite.
- Ainda bem, mãe. Não ia ter saco para ir à faculdade depois de tudo.
Elza saiu da cozinha. Telma passou geléia no pão e o devorou, ficara dois dias sem comer e estava faminta.
Seu pai entrou sorrindo.
- Bom dia, filha, tudo bem?
- Sim, pai. O Adilson ligou? Desde que voltamos ele não me liga.
- Ele está bem pertinho de você, agora, filha.
- Hein?
- Gostou da geléia?
- Eu... Gostei, tem um gosto diferente.
- Pois é. Essa geléia foi feita do cérebro do seu namorado. Em bem que disse que ele tinha o miolo mole.
Telma deu um pulo, cuspiu e teve ânsias. Olhou seu pai, chocada.
- Como? Pai, não brinca...
- Não é brincadeira. Veja ali naquele vidro em cima da geladeira.
Telma olhou aterrorizada o vidro enorme sobre a geladeira. A cabeça de Adilson, sem seu cérebro, olhava para ela com os olhos arregalados.
Seu grito foi de gelar o sangue. Ela desmaiou.
Quando acordou, estava amordaçada. Estava amarrada em sua cama.
Seu pai entrou com um açougueiro gordo, com o avental sujo de sangue e segurando dois enormes facões.
- Veja, Telma, este é o dono da El Corazon. Ele ensinou eu e sua mãe a apreciarmos carne de primeira. Seu namorado rendeu um belo churrasco.
Telma tentou soltar-se e gritar, mas estava bem presa e amordaçada. Ela começou a tremer violentamente.
- Bem, sr. Ruffinno, quero-a bem fatiada. Meus amigos vem para a churrascada amanhã e eu e Elza queremos serví-la mal-passada.
- Pode deixar. Já preparei a churrasqueira e meu churrasqueiro vai salgá-la bem, nós a assaremos viva em sal grosso.
- Adeus, Telma. Tente relaxar enquanto é cozinhada, senão sua carne fica muito dura.
Seu pai saiu e fechou a porta. Ruffino desamarrou-a.
- Tire suas roupas. Não dá para assar você de roupas. Se ficar calma morre mais rápido e não sofre tanto.
Telma mostrou-se passiva e fez que ia tirar a blusa. Mas virou-se, e com rapidez tomou um dos facões de Ruffinno e meteu-lhe no estômago.
- Morre você, filho-da-puta! – E enfiou-lhe o facão várias vezes. O açougueiro titubeou.
Então, para completa surpresa de Telma, ele se recompôs. Tirou o facão enterrado da barriga. – Tsc, tsc, tsc. Que feio. A comida querendo matar o cozinheiro.
Telma começou a chorar:
- O... O quê é você? Você não pode estar vivo, não pode!
- E não estou. Nem seu pai, nem sua mãe. A churrascaria El Corazon é o local de reunião dos zumbis carnívoros. Nós já morremos, mas um vírus nos fez levantar dos túmulos e viver de carne humana. Só a carne humana nos alimenta.
- Não... Não, por favor, não... É um pesadelo...
- Sinto muito, querida, mas não é. E não vou ficar discutindo com a comida. Agora, se for boazinha e despir-se, tudo fica mais fácil...
FIM
domingo, 28 de março de 2010
A Churrascaria (parte II)
A Churrascaria (parte II)
Devagar, Adilson foi afastando as folhagens avançando mais para os fundos do grande terreno da churrascaria, puxando Telma pela mão. Tentou segurar a respiração acelerada e sentia que sua namorada estava tremendo.
Os gemidos e murmúrios de dor ficavam mais fortes a cada passo. Adilson engoliu seco. Telma segurou forte a mão do namorado.
Ouviram, estarrecidos, uma voz grossa dizendo:
- Essa aqui ainda tá viva, parece que não morre. Tapa a boca dela, que eu não aguento mais ficar ouvindo choradeira.
Antes que vissem o que estava acontecendo, Telma deteve seu namorado e sussurou.
- Vamos embora daqui, Di.... Vamos embora. Vamos chamar a polícia. Coisa boa não é.
- Vamos só dar uma espiada. Nossa, que cheiro forte de carne assada.
Ignorando o puxão de Telma e seus avisos, Adilson avançou mais no meio do mato e por fim viram, do alto do morrinho onde estavam, o pequeno vale, nos quintais da churrascaria.
O choque daquela visão deixou ambos paralisados e sem reação em um primeiro momento.
Vários espetos enormes giravam sobre fogueiras em grandes churrasqueiras. Amarrados e enfiados nos espetos, homens e mulheres nus iam assando lentamente. Alguns visivelmente ainda estavam vivos. Mais além, uma gaiola onde alguns homens e mulheres, também já despidos e bem amarrados, aguardavam serem assados e grelhados nas chapas, amordaçados e desesperados ao assistirem o que lhes aguardava.
A mulher que gemia mais alto e que chamara a atenção do casal teve a boca tapada com um guardanapo de pano, com o símbolo da churrascaria bordado nele. Ela estrebuchava espetada no espeto que girava lentamente sobre o fogo.
- Corta os bagos do marido dela e joga na chapa que tostado é muito saboroso, você sabe, e serve para o casal na mesa 4 que pediu o couvert especial... – deu uma risadinha. – Se eles soubessem o que é o couvert especial....
- Essa mulher não morre, vou jogar óleo quente no lombo para servirmos à pururuca, aí quem sabe ela expira de uma vez. – E assim o fez.
Telma desmaiou. Ao cair pesadamente sobre o mato, soltando da mão de Adilson, ela rolou e quase caiu do barranco em direção às churrasqueiras. Seu namorado foi rápido e a segurou, mas a terra caindo e o barulho foi suficiente para atrair a atenção dos churrasqueiros.
- Ei, vocês aí!
Adilson tentou reanimar Telma, ele mesmo tremendo e engolindo seco, arfando, mas desta vez de puro medo. Batia no rosto dela, que inconsciente parecia pesar uma tonelada. Pegou-a nos braços quando viu os três homens com garfões e espetos na mão começarem a subir na direção deles, e saiu em disparada de volta à churrascaria.
Mas naquela direção já vinham dois homens musculosos brandando facões.
Virou-se e meteu-se no meio do mato denso em direção à um morro, a adrenalina fazendo com que pudesse correr e segurar Telma em seus braços.
Atravessou parasitas e teias de aranha entre galhos espinhosos, que lhe cortavam a testa, e começou a subir o morro com um desespero crescente.
Tropeçou em um cupinzeiro e caiu no mato, derrubando Telma entre os arbustos. Ela recobrou a consciência, totalmente desorientada.
- Tel, Tel, levanta, temos que fugir, correr o máximo, porque se aqueles caras nos pegam nós vamos acabar nas churrasqueiras!
“Caiu a ficha” de Telma e ela entrou em pânico, chorando desesperada.
- Eles servem carne humana na churrascaria! Meu Deus! Adilson! Meus pais...
- Eles devem estar bem, só vi gente jovem nos espetos, eles não querem carne velha. Nós temos que fugir, sei lá, chegar na estrada, estou ouvindo eles chegando, levanta, Tel!!!!!!
Adilson ajudou Telma a levantar-se e ambos emprenharam-se cada mais na mata profunda, subindo o morro, ele mesmo passando a chorar, ela tentando não gritar de pavor e soluçando, ambos correndo o tanto que suas pernas aguentavam.
Subiram entre a mata fechada sem um rumo definido, apenas tentando salvar suas vidas. De certa forma a fuga e a adrenalina serviram para acalmar ambos, que agora só se focavam na preservação e em manter distância dos assassinos. Fugiram por muito tempo até o topo do morro e além, mas não conseguiram achar a estrada ou nenhum outro indício de civilização. Duas horas e meia de corrida depois e estavam completamente perdidos. A boa notícia é que não havia sinal dos churrasqueiros.
- Di, preciso parar, preciso de água. – Telma tombou na grama da pequena clareira, do outro lado do morro que os separava da churrascaria.
Adison caiu de joelhos, totalmente exausto.
- Acho que desistiram de nos procurar. Tem água aqui perto, estou ouvindo uma caichoeira.
- Eles não vão desistir, Di. Ai, meu Deus, se eles nos pegarem nós vamos ser espetados e colocados naquelas churrasqueiras e vamos ser assados, e os clientes da churrascaria vão comer a gente! – Telma começou a chorar descontroladamente novamente, em pânico.
Adilson não disse nada, apenas puxou com violência sua namorada na direção do barulho que escutava e acharam uma pequena cascata. Saciaram a sede na água limpa que descia das pedras do morro. O sol estava implacável naquele fim de tarde e sentaram-se à sombra de uma árvore. Telma agarrou-se ao namorado.
- Adilson, me salve, eu não quero morrer! Eu ainda nem vivi, eu quero curitr a vida, e ainda não quero morrer daquele jeito horrível! Por favor, se eles nos pegarem me mata antes, não quero ser queimada viva e ser servida em fatias!
Eles ouviram ruídos e berros na mata adiante.
Adilson não esperou mais e puxou sua namorada, sem parar e sem olhar para trás, e ambos os jovens voltaram a atravessar o mato como se este fosse de seda. Espinhos e aranhas não eram nada diante do temor aos churrasqueiros.
(Continua...)
Devagar, Adilson foi afastando as folhagens avançando mais para os fundos do grande terreno da churrascaria, puxando Telma pela mão. Tentou segurar a respiração acelerada e sentia que sua namorada estava tremendo.
Os gemidos e murmúrios de dor ficavam mais fortes a cada passo. Adilson engoliu seco. Telma segurou forte a mão do namorado.
Ouviram, estarrecidos, uma voz grossa dizendo:
- Essa aqui ainda tá viva, parece que não morre. Tapa a boca dela, que eu não aguento mais ficar ouvindo choradeira.
Antes que vissem o que estava acontecendo, Telma deteve seu namorado e sussurou.
- Vamos embora daqui, Di.... Vamos embora. Vamos chamar a polícia. Coisa boa não é.
- Vamos só dar uma espiada. Nossa, que cheiro forte de carne assada.
Ignorando o puxão de Telma e seus avisos, Adilson avançou mais no meio do mato e por fim viram, do alto do morrinho onde estavam, o pequeno vale, nos quintais da churrascaria.
O choque daquela visão deixou ambos paralisados e sem reação em um primeiro momento.
Vários espetos enormes giravam sobre fogueiras em grandes churrasqueiras. Amarrados e enfiados nos espetos, homens e mulheres nus iam assando lentamente. Alguns visivelmente ainda estavam vivos. Mais além, uma gaiola onde alguns homens e mulheres, também já despidos e bem amarrados, aguardavam serem assados e grelhados nas chapas, amordaçados e desesperados ao assistirem o que lhes aguardava.
A mulher que gemia mais alto e que chamara a atenção do casal teve a boca tapada com um guardanapo de pano, com o símbolo da churrascaria bordado nele. Ela estrebuchava espetada no espeto que girava lentamente sobre o fogo.
- Corta os bagos do marido dela e joga na chapa que tostado é muito saboroso, você sabe, e serve para o casal na mesa 4 que pediu o couvert especial... – deu uma risadinha. – Se eles soubessem o que é o couvert especial....
- Essa mulher não morre, vou jogar óleo quente no lombo para servirmos à pururuca, aí quem sabe ela expira de uma vez. – E assim o fez.
Telma desmaiou. Ao cair pesadamente sobre o mato, soltando da mão de Adilson, ela rolou e quase caiu do barranco em direção às churrasqueiras. Seu namorado foi rápido e a segurou, mas a terra caindo e o barulho foi suficiente para atrair a atenção dos churrasqueiros.
- Ei, vocês aí!
Adilson tentou reanimar Telma, ele mesmo tremendo e engolindo seco, arfando, mas desta vez de puro medo. Batia no rosto dela, que inconsciente parecia pesar uma tonelada. Pegou-a nos braços quando viu os três homens com garfões e espetos na mão começarem a subir na direção deles, e saiu em disparada de volta à churrascaria.
Mas naquela direção já vinham dois homens musculosos brandando facões.
Virou-se e meteu-se no meio do mato denso em direção à um morro, a adrenalina fazendo com que pudesse correr e segurar Telma em seus braços.
Atravessou parasitas e teias de aranha entre galhos espinhosos, que lhe cortavam a testa, e começou a subir o morro com um desespero crescente.
Tropeçou em um cupinzeiro e caiu no mato, derrubando Telma entre os arbustos. Ela recobrou a consciência, totalmente desorientada.
- Tel, Tel, levanta, temos que fugir, correr o máximo, porque se aqueles caras nos pegam nós vamos acabar nas churrasqueiras!
“Caiu a ficha” de Telma e ela entrou em pânico, chorando desesperada.
- Eles servem carne humana na churrascaria! Meu Deus! Adilson! Meus pais...
- Eles devem estar bem, só vi gente jovem nos espetos, eles não querem carne velha. Nós temos que fugir, sei lá, chegar na estrada, estou ouvindo eles chegando, levanta, Tel!!!!!!
Adilson ajudou Telma a levantar-se e ambos emprenharam-se cada mais na mata profunda, subindo o morro, ele mesmo passando a chorar, ela tentando não gritar de pavor e soluçando, ambos correndo o tanto que suas pernas aguentavam.
Subiram entre a mata fechada sem um rumo definido, apenas tentando salvar suas vidas. De certa forma a fuga e a adrenalina serviram para acalmar ambos, que agora só se focavam na preservação e em manter distância dos assassinos. Fugiram por muito tempo até o topo do morro e além, mas não conseguiram achar a estrada ou nenhum outro indício de civilização. Duas horas e meia de corrida depois e estavam completamente perdidos. A boa notícia é que não havia sinal dos churrasqueiros.
- Di, preciso parar, preciso de água. – Telma tombou na grama da pequena clareira, do outro lado do morro que os separava da churrascaria.
Adison caiu de joelhos, totalmente exausto.
- Acho que desistiram de nos procurar. Tem água aqui perto, estou ouvindo uma caichoeira.
- Eles não vão desistir, Di. Ai, meu Deus, se eles nos pegarem nós vamos ser espetados e colocados naquelas churrasqueiras e vamos ser assados, e os clientes da churrascaria vão comer a gente! – Telma começou a chorar descontroladamente novamente, em pânico.
Adilson não disse nada, apenas puxou com violência sua namorada na direção do barulho que escutava e acharam uma pequena cascata. Saciaram a sede na água limpa que descia das pedras do morro. O sol estava implacável naquele fim de tarde e sentaram-se à sombra de uma árvore. Telma agarrou-se ao namorado.
- Adilson, me salve, eu não quero morrer! Eu ainda nem vivi, eu quero curitr a vida, e ainda não quero morrer daquele jeito horrível! Por favor, se eles nos pegarem me mata antes, não quero ser queimada viva e ser servida em fatias!
Eles ouviram ruídos e berros na mata adiante.
Adilson não esperou mais e puxou sua namorada, sem parar e sem olhar para trás, e ambos os jovens voltaram a atravessar o mato como se este fosse de seda. Espinhos e aranhas não eram nada diante do temor aos churrasqueiros.
(Continua...)
sábado, 27 de março de 2010
Conto: A Churrascaria (parte I)
A Churrascaria
Telma e Adilson estavam se beijando pela quinta vez no banco de trás, e pela quinta vez o pai de Telma pigarreou forte, olhando nervoso pelo retrovisor do carro. Elza era a mãe de Telma, sentada do lado do passageiro, e sorriu ao observar o marido apertar forte o volante do carro.
- Calma, benhê, eles não estão fazendo nada demais.
Jorge ficou quieto. Telma e Adilson tentaram se conter e cada um olhou para o seu lado na janela do sedã, enquanto passavam pela rodovia movimentada em direção à capital. Os caminhões eram ultrapassados e na pista contrária os veículos passavam zunindo causando um efeito letárgico em Adilson, que segurava forte a mão de sua namorada, sentado do lado esquerdo do automóvel.
Assim que o pai de Telma tornou a se distrair com a rodovia, Adilson puxou Telma para si e voltaram a se beijar lânguidamente, trocando saliva, Adilson explorando a boca doce de sua namorada enquanto sua mão sorrateiramente deslizava sobre as coxas da garota de apenas dezoito anos.
Mais uma ultrapassagem e Jorge olhou pelo retrovisor e novamente viu o casal trocando amor. Ficou irritado. Olhou o relógio do carro no painel: onze horas.
Viu o anúncio de uma famosa churrascaria cerca de dez quilômetros adiante.
- Elza, vamos parar na El Corazon, já estou com fome.
- Benhê, falta uma hora pro meio-dia. Porque parar tão cedo?
- Não tem mais nenhum restaurante bom na estrada até a capital. E estou cansado de dirigir. Vamos parar, já decidi.
Jorge deu seta e entrou na via de acesso ao posto e a churrascaria de estrada, bastante conhecida, cheia de caminhões, ônibus e carros estacionados. Achou um canto para estacionar o sedã e logo estavam descendo, Jorge grato por esticar as pernas e tentar separar um pouco aquele casal, raivoso por achar que sua filha estava no cio.
Adilson não desgrudou da namorada. Ambos não tiravam os olhos um do outro, abraçados, enquanto entravam na lotada, mesmo às onze horas da manhã, churrascaria rodízio.
Sentaram-se em uma mesa perto do bufê de saladas. Jorge limpou seus talheres com o guardanapo de pano. Observou sua filha, através dos grossos óculos de aro de tartaruga: uma linda jovem de seios como pêras e curvas audasiosas e sentiu raiva por ela já ser uma mulher. Ele a preferia como uma menina ingênua que fora há alguns anos, e não como aquela garota maliciosa que não soltava do namorado estúpido que arrumara.
“Eu vou fazer Comunicação. Vou ser jornalista”
“Jornalista o cacete” – Jorge olhava com ódio o rapaz de risada fácil. “Nem escrever direito você sabe, e quer ficar com a minha filha?”
O garçom aproximou-se:
- Desculpe, senhor – disse à Jorge – o rodízio vai atrasar um pouco, coisa de uns vinte minutos, não esperávamos estar lotados logo cedo. Posso trazer as bebidas? Aconselho um passeio pelo nosso jardim nos fundos enquanto esperam. Uma cervejinha, senhor?
Jorge ficou ainda mais irritado, mas Elza e seu sorriso bondoso fizeram com que se acalmasse. Bufou.
- Traga uma Hervage bem gelada, o que vão pedir?
- Pai – Telma fez cara de anjo – eu e o Di vamos dar um passeio no jardim e já voltamos.
- Isso, papai, pede um suco de laranja para ela e para mim uma Cola light.
Ao ouvir Adilson, Jorge só não espumou porque Elza o deteve.
- Querido, deixa os pombinhos passearem e vamos relaxar um pouco, tá?
Telma e Adilson saíram pelos fundos caminhar nos belos jardins. O cheiro de carne se sobrepunha ao da vegetação, o que não era muito agradável.
- Vem – puxou Adilson – vamos até aqueles calips.
- Eucaliptos, ‘mor. Você vai ter de melhorar o português para estudar Comunicação e Jornalismo.
- Tanto faz. Vamos.
Passaram pelo belo bosque de eucaliptos e araucárias angustifólias e adentraram a vegetação cada vez mais densa até uma pequena cabana de paredes de taipa e teto de sapé.
- Aqui, vem. Ninguém vai nos ver atrás da cabana.
Trocaram beijos densos e molhados. A mão de Adilson deslizou pela bunda em forma de coração de Telma.
- Para, alguém pode vir aqui.
- Não vem, não. Seu pai ficou lá bebendo cerveja com sua mãe.
Beijaram-se mais com Adilson explorando o corpo da garota.
- Tel... Faz uma coisa...
- Já disse que quero ficar virgem até casar. Meu pai é muito bravo.
- Não é isso. Porque você não ... – E cochichou no ouvido da menina-mulher.
- Ah, Di! Eu... Eu acho que nem sentiria prazer fazendo isso. Tenho nojo.
- Mas você vai me levar à nuvens, vai me dar muito prazer, e eu sou limpinho.
Telma sorriu maliciosa. Porque não? Decidiu que seria divertido. Ajoelhou-se diante dele, na folhagem, atrás da cabana. Abaixou seu ziper, mas antes, lhe disse:
- Não vá terminar na minha boca que eu morro de nojo, tá?
Fazia o trabalho, sentindo mais prazer em dar prazer ao seu namorado, que arfafa e estremecia, do que a si mesma, mesmo assim estava bem molhada, mas não tirara uma peça de roupa sequer, não tinha coragem, embora desejasse.
Então parou e tirou o instrumento da boca.
- Não, não para, Tel, não para, por favor!
- Escuta, Di, tem alguém gemendo!
Adilson ficou meio impaciente mas ouviu o gemido de mulher.
- Tem sim. Será que é alguém transando?
- Não, seu tonto. Só pensa bobagens! Parece que a pessoa tá gemendo de dor.
Adilson vestiu-se e Telma levantou-se e foram mais dentro da mata. Os gemidos ficaram mais fortes, assim como o bater do coração de ambos.
(Continua....)
Telma e Adilson estavam se beijando pela quinta vez no banco de trás, e pela quinta vez o pai de Telma pigarreou forte, olhando nervoso pelo retrovisor do carro. Elza era a mãe de Telma, sentada do lado do passageiro, e sorriu ao observar o marido apertar forte o volante do carro.
- Calma, benhê, eles não estão fazendo nada demais.
Jorge ficou quieto. Telma e Adilson tentaram se conter e cada um olhou para o seu lado na janela do sedã, enquanto passavam pela rodovia movimentada em direção à capital. Os caminhões eram ultrapassados e na pista contrária os veículos passavam zunindo causando um efeito letárgico em Adilson, que segurava forte a mão de sua namorada, sentado do lado esquerdo do automóvel.
Assim que o pai de Telma tornou a se distrair com a rodovia, Adilson puxou Telma para si e voltaram a se beijar lânguidamente, trocando saliva, Adilson explorando a boca doce de sua namorada enquanto sua mão sorrateiramente deslizava sobre as coxas da garota de apenas dezoito anos.
Mais uma ultrapassagem e Jorge olhou pelo retrovisor e novamente viu o casal trocando amor. Ficou irritado. Olhou o relógio do carro no painel: onze horas.
Viu o anúncio de uma famosa churrascaria cerca de dez quilômetros adiante.
- Elza, vamos parar na El Corazon, já estou com fome.
- Benhê, falta uma hora pro meio-dia. Porque parar tão cedo?
- Não tem mais nenhum restaurante bom na estrada até a capital. E estou cansado de dirigir. Vamos parar, já decidi.
Jorge deu seta e entrou na via de acesso ao posto e a churrascaria de estrada, bastante conhecida, cheia de caminhões, ônibus e carros estacionados. Achou um canto para estacionar o sedã e logo estavam descendo, Jorge grato por esticar as pernas e tentar separar um pouco aquele casal, raivoso por achar que sua filha estava no cio.
Adilson não desgrudou da namorada. Ambos não tiravam os olhos um do outro, abraçados, enquanto entravam na lotada, mesmo às onze horas da manhã, churrascaria rodízio.
Sentaram-se em uma mesa perto do bufê de saladas. Jorge limpou seus talheres com o guardanapo de pano. Observou sua filha, através dos grossos óculos de aro de tartaruga: uma linda jovem de seios como pêras e curvas audasiosas e sentiu raiva por ela já ser uma mulher. Ele a preferia como uma menina ingênua que fora há alguns anos, e não como aquela garota maliciosa que não soltava do namorado estúpido que arrumara.
“Eu vou fazer Comunicação. Vou ser jornalista”
“Jornalista o cacete” – Jorge olhava com ódio o rapaz de risada fácil. “Nem escrever direito você sabe, e quer ficar com a minha filha?”
O garçom aproximou-se:
- Desculpe, senhor – disse à Jorge – o rodízio vai atrasar um pouco, coisa de uns vinte minutos, não esperávamos estar lotados logo cedo. Posso trazer as bebidas? Aconselho um passeio pelo nosso jardim nos fundos enquanto esperam. Uma cervejinha, senhor?
Jorge ficou ainda mais irritado, mas Elza e seu sorriso bondoso fizeram com que se acalmasse. Bufou.
- Traga uma Hervage bem gelada, o que vão pedir?
- Pai – Telma fez cara de anjo – eu e o Di vamos dar um passeio no jardim e já voltamos.
- Isso, papai, pede um suco de laranja para ela e para mim uma Cola light.
Ao ouvir Adilson, Jorge só não espumou porque Elza o deteve.
- Querido, deixa os pombinhos passearem e vamos relaxar um pouco, tá?
Telma e Adilson saíram pelos fundos caminhar nos belos jardins. O cheiro de carne se sobrepunha ao da vegetação, o que não era muito agradável.
- Vem – puxou Adilson – vamos até aqueles calips.
- Eucaliptos, ‘mor. Você vai ter de melhorar o português para estudar Comunicação e Jornalismo.
- Tanto faz. Vamos.
Passaram pelo belo bosque de eucaliptos e araucárias angustifólias e adentraram a vegetação cada vez mais densa até uma pequena cabana de paredes de taipa e teto de sapé.
- Aqui, vem. Ninguém vai nos ver atrás da cabana.
Trocaram beijos densos e molhados. A mão de Adilson deslizou pela bunda em forma de coração de Telma.
- Para, alguém pode vir aqui.
- Não vem, não. Seu pai ficou lá bebendo cerveja com sua mãe.
Beijaram-se mais com Adilson explorando o corpo da garota.
- Tel... Faz uma coisa...
- Já disse que quero ficar virgem até casar. Meu pai é muito bravo.
- Não é isso. Porque você não ... – E cochichou no ouvido da menina-mulher.
- Ah, Di! Eu... Eu acho que nem sentiria prazer fazendo isso. Tenho nojo.
- Mas você vai me levar à nuvens, vai me dar muito prazer, e eu sou limpinho.
Telma sorriu maliciosa. Porque não? Decidiu que seria divertido. Ajoelhou-se diante dele, na folhagem, atrás da cabana. Abaixou seu ziper, mas antes, lhe disse:
- Não vá terminar na minha boca que eu morro de nojo, tá?
Fazia o trabalho, sentindo mais prazer em dar prazer ao seu namorado, que arfafa e estremecia, do que a si mesma, mesmo assim estava bem molhada, mas não tirara uma peça de roupa sequer, não tinha coragem, embora desejasse.
Então parou e tirou o instrumento da boca.
- Não, não para, Tel, não para, por favor!
- Escuta, Di, tem alguém gemendo!
Adilson ficou meio impaciente mas ouviu o gemido de mulher.
- Tem sim. Será que é alguém transando?
- Não, seu tonto. Só pensa bobagens! Parece que a pessoa tá gemendo de dor.
Adilson vestiu-se e Telma levantou-se e foram mais dentro da mata. Os gemidos ficaram mais fortes, assim como o bater do coração de ambos.
(Continua....)
terça-feira, 23 de março de 2010
Lembranças
Fomos de fusquinha azul até a estação de Jundiaí ver o último trem da Ituana (Sorocabana), vindo de Itu. A velha locomotiva vaporosa (que não me recordo qual era) e os carros de madeira pararam onde hoje tem a escada para as bilheterias. Eu estava no colo da minha tia comendo banana e ela "É o último trem da Sorocabana" e eu, criança: "Eles querem a minha banana? Tô" e ofereci para as pessoas que lotavam aquele derradeiro trem e acenavam com seus lenços em fins dos anos 1960 e início dos 1970.
Um pouco mais crescido mudei para uma travessa da rua do Retiro chamada Escolástica de Toledo Pontes, altura do número 136. Moleque, fui explorar os arredores e encontrei a extinta linha métrica ainda muito bem conservada (nem de perto da linha atuais da ALL em uso se comparavam com aquele linha já abandonada). Caminhei pela linha até encontrar o túnel sob a Via Anhanguera. Demais. Seguindo pelo outro lado parei atrás de indústrias. Fiquei fascinado e achando que trens ainda passavam por ali, sem lembrar do último trem.
Até que encontrei as linhas retorcidas onde hoje passa a Av. Nove de Julho. Ali não passaria mais nenhum trem, mas ao longe vi o fantástico Trem Azul ou "R" passando por uma ponte, apitando, de forma muito rápida.
Dias depois fui até lá com amigos. Atravessamos a ponte férrea com receio, pois se o trem viesse, só se jogando no Rio Jundiaí.
E então vinham de forma estrondosa as V-8 azuis, muito rápidas, apitando, e o barulho ensurdecedor fazia com que nos jogássemos no chão. E os carros novos e limpos, azuis com faixas creme, passavam e pessoas acenavam. Era lindo!
Veio uma enchente terrível e o Rio Jundiái destruiu a ponte. Não havia mais trens entre Jundiái e Campinas, um caos.
Fizeram uma ponte moderna sensacional, e corrigiram o traçado em S da Fepasa (que já assumira a Paulista), deixando-os em linha reta acima do morro (onde mais acima fica agora a prefeitura).
Enquanto as máquinas trabalhavam eu e meus amigos íamos lá brincar.
Bons tempos quando as pessoas ainda eram educadas, não havia insegurança, havia muitos espaços verdes e podíamos brincar de verdade, sem video-games
Hoje vejo o estado das coisas e só não choro porque não adianta. Mas não há mais nada a fazer, então?
Errado: ensino meu filho a ser educado com as pessoas. Imponho limites. Coloco na cabeça dele que o mundo é um só.
Tenho esperança que aqueles dias ainda voltem em um futuro distante
Vitor Hugo
Um pouco mais crescido mudei para uma travessa da rua do Retiro chamada Escolástica de Toledo Pontes, altura do número 136. Moleque, fui explorar os arredores e encontrei a extinta linha métrica ainda muito bem conservada (nem de perto da linha atuais da ALL em uso se comparavam com aquele linha já abandonada). Caminhei pela linha até encontrar o túnel sob a Via Anhanguera. Demais. Seguindo pelo outro lado parei atrás de indústrias. Fiquei fascinado e achando que trens ainda passavam por ali, sem lembrar do último trem.
Até que encontrei as linhas retorcidas onde hoje passa a Av. Nove de Julho. Ali não passaria mais nenhum trem, mas ao longe vi o fantástico Trem Azul ou "R" passando por uma ponte, apitando, de forma muito rápida.
Dias depois fui até lá com amigos. Atravessamos a ponte férrea com receio, pois se o trem viesse, só se jogando no Rio Jundiaí.
E então vinham de forma estrondosa as V-8 azuis, muito rápidas, apitando, e o barulho ensurdecedor fazia com que nos jogássemos no chão. E os carros novos e limpos, azuis com faixas creme, passavam e pessoas acenavam. Era lindo!
Veio uma enchente terrível e o Rio Jundiái destruiu a ponte. Não havia mais trens entre Jundiái e Campinas, um caos.
Fizeram uma ponte moderna sensacional, e corrigiram o traçado em S da Fepasa (que já assumira a Paulista), deixando-os em linha reta acima do morro (onde mais acima fica agora a prefeitura).
Enquanto as máquinas trabalhavam eu e meus amigos íamos lá brincar.
Bons tempos quando as pessoas ainda eram educadas, não havia insegurança, havia muitos espaços verdes e podíamos brincar de verdade, sem video-games
Hoje vejo o estado das coisas e só não choro porque não adianta. Mas não há mais nada a fazer, então?
Errado: ensino meu filho a ser educado com as pessoas. Imponho limites. Coloco na cabeça dele que o mundo é um só.
Tenho esperança que aqueles dias ainda voltem em um futuro distante
Vitor Hugo
sábado, 20 de março de 2010
Novidades do novo livro
Consegui um patrocinador de peso que pede que por enquanto não seja identificado, que leu o início do "Diário Secreto de Solange" e... Não gostou.
Ele comprou a bagatela de 100 cotas... Não é pouco.
Pediu que escrevesse outro. E já tenho um na ponta da língua, mas decidi agora não divulgar mais nada, nem título. Só que é de Ficção Fantástica.
Quanto mais cópias vender, melhor será a qualidade de impressão do livro.
Cotas a 10,00. Se quiserem comprar, mandem um e-mail em pvt em vitorr@splicente.com.br
O investir receberá sua cota de volta com valorização de acordo com a venda do livro, que deve ficar pronto até o natal de 2010
Me acompanhem no Twitter!!!
Abraços!
Ele comprou a bagatela de 100 cotas... Não é pouco.
Pediu que escrevesse outro. E já tenho um na ponta da língua, mas decidi agora não divulgar mais nada, nem título. Só que é de Ficção Fantástica.
Quanto mais cópias vender, melhor será a qualidade de impressão do livro.
Cotas a 10,00. Se quiserem comprar, mandem um e-mail em pvt em vitorr@splicente.com.br
O investir receberá sua cota de volta com valorização de acordo com a venda do livro, que deve ficar pronto até o natal de 2010
Me acompanhem no Twitter!!!
Abraços!
terça-feira, 16 de março de 2010
Não devíamos Precisar Dormir
Ando trabalhando pelos cotovelos. Implantação de WMS em Taubaté, visita de definição de Parceria em São Paulo, desenvolvimento do Comercial em casa, mas com cronograma apertado. Ufa! Socorro! Mas preciso faturar senão fecho as portas.
E meu livro? Só vendi 10 cotas de 10,00. Para quem precisa levantar 4.000, tá longe.
E não tive tempo de nada esta semana. Se eu não precisasse dormir, teria pelo mais 8 horas diárias para escrever...
"O Diário Secreto de Solange" está começado. Já é alguma coisa
Alguém aí quer uma cota de 10,00?
E meu livro? Só vendi 10 cotas de 10,00. Para quem precisa levantar 4.000, tá longe.
E não tive tempo de nada esta semana. Se eu não precisasse dormir, teria pelo mais 8 horas diárias para escrever...
"O Diário Secreto de Solange" está começado. Já é alguma coisa
Alguém aí quer uma cota de 10,00?
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia da Mulher
Um parabéns à todas que fazem a felicidade dessse mundão!
Embora eu considere que todos os dias sejam das Mulheres (com M maiúsuclo, sim!), esse dia em especial quero brindá-las!
Seja mãe, avó, amante, trabalhadeira, não importa, sem elas, nem nasceríamos, não é?
Um beijo à todas!
Embora eu considere que todos os dias sejam das Mulheres (com M maiúsuclo, sim!), esse dia em especial quero brindá-las!
Seja mãe, avó, amante, trabalhadeira, não importa, sem elas, nem nasceríamos, não é?
Um beijo à todas!
sábado, 6 de março de 2010
UNIVERSOS
Autor: Vitor H. B. Ribeiro
O dr. Montes, sentado na poltrona do canto do quarto, sorriu:
- Você sabe do que eu estou falando, Jessica.
Jessica Kerabi sabia, mas não queria admitir. Levantou-se de supetão da cama:
- Ora, Rogério, não pode ser possível, simplesmente não pode. A existência de
dez dimensões foi comprovada nos aceleradores de partículas do CERN, e se
considerarmos o Tempo como uma quarta dimensão, as outras seis são tão enroladas
e pequenas que dificilmente são detectáveis... E você vem me dizer que uma
quinta dimensão é algo quase perceptível?
Jessica era linda. Loira de olhos verdes. Muito inteligente. Quase uma
contradição.
Rogério Montes deixou escapar uma baforada de seu cachimbo. Cinquenta anos,
cabelos grisalhos, barba idem, um pouco acima do peso:
- Isso mesmo, querida Jessy. Mas é uma coisa que não percebemos no dia-a-dia,
como um desenho sobre uma folha de papel. Se o desenho tivesse consciência,
jamais admitiria que poderia existir a profundidade, a terceira dimensão. Ele é
um ser bidimensional assim como somos tridimensionais...
- Ora, Rogério, um desenho não está vivo! Não creio...
- Só porque não vê, não quer dizer que não está lá. Você vê o Tempo?
- Claro, se eu olhar meu relógio de pulso!
Rogério deu uma gargalhada, ainda sentado na poltrona em frente a cama de casal:
- Jessy, você é impagável! Como você sabe, para termos com precisão a posição de
um corpo, devemos indicar suas coordenadas como X, Y e Z, mais o instante em que
ele está, o tempo T - são quatro dimensões - mas e se houver mais uma que
indique em que Universo ele está? A variável U...
Jessica era perspicaz e achou engraçado aquele pensamento:
- Em que Universo, Rogério?
O experiente físico sorriu largamente:
- Adoro estas discussões. Se existem "n" Universos, como vou saber com certeza
onde o corpo especificado está se não disser em que Universo ele está?
Jessica Kerabi tinha de concordar com a lógica do doutor, porém provar tal coisa
era impossível:
- Isso deve ficar no campo do debate filosófico, Rogério. Na verdade, talvez
você devesse contactar o doutor Stephen Hawking... Ele tem algo parecido com a
sua idéia, a dos Universos Brana.
Rogério soltou outra baforada de seu cachimbo e disse a uma cética Jessica:
- Vou provar para você minha teoria agora mesmo.
A jovem estudante sentou-se na cama, diante dele, perplexa :
- Como?
- Eu vim de outro Universo, querida.
Jessica desatou a rir, uma gargalhada gostosa:
- Ora, Rogério, não conhecia esse seu lado humorístico.
O telefone tocou. Jessica Kerabi foi atendê-lo na sala de estar do apartamento,
já que a extensão do quarto estava quebrada.
- Jessica, aconteceu uma coisa horrível! Está sentada...? - Era uma amiga de
Jessica, aflita.
- O que aconteceu, Telma?
- Seu namorado novo teve um infarto e... e... Morreu. Você tinha de arrumar um
tiozão para namorar? Deu nisso, querida.
- Meu namorado? O professor Rogério?
- Sim... Fazem duas horas que...
Jessica soltou o telefone e voltou ao quarto. Havia um bilhete sobre a cama:
"A variável U que indica onde estou no momento tem o valor A de Além... Foi bom
ver você uma última vez..."
Autor: Vitor H. B. Ribeiro
O dr. Montes, sentado na poltrona do canto do quarto, sorriu:
- Você sabe do que eu estou falando, Jessica.
Jessica Kerabi sabia, mas não queria admitir. Levantou-se de supetão da cama:
- Ora, Rogério, não pode ser possível, simplesmente não pode. A existência de
dez dimensões foi comprovada nos aceleradores de partículas do CERN, e se
considerarmos o Tempo como uma quarta dimensão, as outras seis são tão enroladas
e pequenas que dificilmente são detectáveis... E você vem me dizer que uma
quinta dimensão é algo quase perceptível?
Jessica era linda. Loira de olhos verdes. Muito inteligente. Quase uma
contradição.
Rogério Montes deixou escapar uma baforada de seu cachimbo. Cinquenta anos,
cabelos grisalhos, barba idem, um pouco acima do peso:
- Isso mesmo, querida Jessy. Mas é uma coisa que não percebemos no dia-a-dia,
como um desenho sobre uma folha de papel. Se o desenho tivesse consciência,
jamais admitiria que poderia existir a profundidade, a terceira dimensão. Ele é
um ser bidimensional assim como somos tridimensionais...
- Ora, Rogério, um desenho não está vivo! Não creio...
- Só porque não vê, não quer dizer que não está lá. Você vê o Tempo?
- Claro, se eu olhar meu relógio de pulso!
Rogério deu uma gargalhada, ainda sentado na poltrona em frente a cama de casal:
- Jessy, você é impagável! Como você sabe, para termos com precisão a posição de
um corpo, devemos indicar suas coordenadas como X, Y e Z, mais o instante em que
ele está, o tempo T - são quatro dimensões - mas e se houver mais uma que
indique em que Universo ele está? A variável U...
Jessica era perspicaz e achou engraçado aquele pensamento:
- Em que Universo, Rogério?
O experiente físico sorriu largamente:
- Adoro estas discussões. Se existem "n" Universos, como vou saber com certeza
onde o corpo especificado está se não disser em que Universo ele está?
Jessica Kerabi tinha de concordar com a lógica do doutor, porém provar tal coisa
era impossível:
- Isso deve ficar no campo do debate filosófico, Rogério. Na verdade, talvez
você devesse contactar o doutor Stephen Hawking... Ele tem algo parecido com a
sua idéia, a dos Universos Brana.
Rogério soltou outra baforada de seu cachimbo e disse a uma cética Jessica:
- Vou provar para você minha teoria agora mesmo.
A jovem estudante sentou-se na cama, diante dele, perplexa :
- Como?
- Eu vim de outro Universo, querida.
Jessica desatou a rir, uma gargalhada gostosa:
- Ora, Rogério, não conhecia esse seu lado humorístico.
O telefone tocou. Jessica Kerabi foi atendê-lo na sala de estar do apartamento,
já que a extensão do quarto estava quebrada.
- Jessica, aconteceu uma coisa horrível! Está sentada...? - Era uma amiga de
Jessica, aflita.
- O que aconteceu, Telma?
- Seu namorado novo teve um infarto e... e... Morreu. Você tinha de arrumar um
tiozão para namorar? Deu nisso, querida.
- Meu namorado? O professor Rogério?
- Sim... Fazem duas horas que...
Jessica soltou o telefone e voltou ao quarto. Havia um bilhete sobre a cama:
"A variável U que indica onde estou no momento tem o valor A de Além... Foi bom
ver você uma última vez..."
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