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terça-feira, 23 de março de 2010

Lembranças

Fomos de fusquinha azul até a estação de Jundiaí ver o último trem da Ituana (Sorocabana), vindo de Itu. A velha locomotiva vaporosa (que não me recordo qual era) e os carros de madeira pararam onde hoje tem a escada para as bilheterias. Eu estava no colo da minha tia comendo banana e ela "É o último trem da Sorocabana" e eu, criança: "Eles querem a minha banana? Tô" e ofereci para as pessoas que lotavam aquele derradeiro trem e acenavam com seus lenços em fins dos anos 1960 e início dos 1970.

Um pouco mais crescido mudei para uma travessa da rua do Retiro chamada Escolástica de Toledo Pontes, altura do número 136. Moleque, fui explorar os arredores e encontrei a extinta linha métrica ainda muito bem conservada (nem de perto da linha atuais da ALL em uso se comparavam com aquele linha já abandonada). Caminhei pela linha até encontrar o túnel sob a Via Anhanguera. Demais. Seguindo pelo outro lado parei atrás de indústrias. Fiquei fascinado e achando que trens ainda passavam por ali, sem lembrar do último trem.

Até que encontrei as linhas retorcidas onde hoje passa a Av. Nove de Julho. Ali não passaria mais nenhum trem, mas ao longe vi o fantástico Trem Azul ou "R" passando por uma ponte, apitando, de forma muito rápida.

Dias depois fui até lá com amigos. Atravessamos a ponte férrea com receio, pois se o trem viesse, só se jogando no Rio Jundiaí.

E então vinham de forma estrondosa as V-8 azuis, muito rápidas, apitando, e o barulho ensurdecedor fazia com que nos jogássemos no chão. E os carros novos e limpos, azuis com faixas creme, passavam e pessoas acenavam. Era lindo!

Veio uma enchente terrível e o Rio Jundiái destruiu a ponte. Não havia mais trens entre Jundiái e Campinas, um caos.

Fizeram uma ponte moderna sensacional, e corrigiram o traçado em S da Fepasa (que já assumira a Paulista), deixando-os em linha reta acima do morro (onde mais acima fica agora a prefeitura).

Enquanto as máquinas trabalhavam eu e meus amigos íamos lá brincar.

Bons tempos quando as pessoas ainda eram educadas, não havia insegurança, havia muitos espaços verdes e podíamos brincar de verdade, sem video-games

Hoje vejo o estado das coisas e só não choro porque não adianta. Mas não há mais nada a fazer, então?

Errado: ensino meu filho a ser educado com as pessoas. Imponho limites. Coloco na cabeça dele que o mundo é um só.

Tenho esperança que aqueles dias ainda voltem em um futuro distante

Vitor Hugo

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