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quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Guerra dos Impérios

Prólogo (parte I)

Atron apenas observava a paisagem desértica. O céu era de um verde claro com uma densa faixa de estrelas que o cruzava de norte a sul, de maneira estupenda, e a luz parecia vir de todo lugar. Mas nada havia até o horizonte além de areia e areia, de um vermelho estranho. Aqui e ali o vento rodopiava e o silêncio era completo.
- Venha, irmão, Martogh nos chama. – Liany avisou.
Atron deixou a imensa sacada para adentrar o fantástico templo de Anuep. Estava triste, ou melhor, estava arrasado. O incrível Império que seu avô construíra e que na terceira geração dos K-Rosam’vev dominava um terço da Galáxia havia acabado. Sua raça, quase extinta. De fato, até onde se sabia, apenas ele e sua irmã haviam restado dos bilhões de lemânticos que outrora povoaram seu império.

Martogh não era lemântico. Era um maithen. Uma enorme lesma que estava sobre uma pequena plataforma esperando os antigos reis de Leman.
Atron e Liany aproximaram-se do triskaj dos maithens, e este, pomposamente, ergueu-se. Em demanedo, a língua falada e escrita dos lemânticos, Martogh conversou com ambos de maneira telepática:
- Sei que ainda não se recuperaram do acontecido. Talvez nunca se recuperem. Sei que o único consolo de vocês é ver Zonos preso e todo seu poderio derrotado, destruído ou disperso.
Atron suspirou. Zonos, agora sabia, viera do Anti-Universo, era um anti-ser, um imperador negativo... Um demônio das antigas profecias e lendas.

Zonos formara um imenso exército que quase conquistara toda a galáxia da Via Láctea e adjacências. Derrotara o Império Lemântico, o maior da época no Universo Conhecido. Derrotara ele, o igni Atron, um imperador e rei justo e leal com seus trilhões de súditos de diversas raças e credos, espalhados por miríades de planetas. Derrotara sua irmã, imperadora e rainha, Liany, A Benfeitora.

E agora, da espécie daqueles seres humanóides altos, encorpados, cabeça ovóide e carapaça nas costas e braços, só restavam ele e sua irmã... Pelo menos era o que acreditavam naquele momento.

Atron K-Rosam’vev saiu de seus devaneios e pensou, olhando Martogh.
- Sim, é isso. Está tudo acabado agora, triskaj. Fomos derrotados, mas o senhor e seu Império Maithen destruíram o poderio de Zonos e agora o tem aqui, preso, em Anuep, na estrela verde Tirênia. E, creio, para o resto da Eternidade.
A transmissão de pensamentos também atingia Liany, que ouvia e compartilhara a conversa de seu irmão. Ela então tomou a palavra.
- Não há realmente meios de destruí-lo, majestade?
- Sinto, Liany. – Martogh prosseguiu telepaticamente em demanedo. – Até agora nada parece afetar o demônio encarnado. Nada no nosso Universo parece atingi-lo definitivamente e temo que ele passará o resto dos tempos preso aqui, constantemente vigiado. Por isso os trouxe à este templo, ignis. Ambos são os únicos que podem guardar a prisão de Zonos. Eternamente, se for o caso.
- Eternamente? Quer dizer, para sempre? – Liany estava assustada.
- Para sempre é tempo demais, rainha. – Martogh então desceu da plataforma e ficou bem a frente dos dois lemânticos. – Mas peço que o vigiem pelos próximos anos, talvez pelo próximo século ou milênio, até que achemos uma forma de destruí-lo. Se escapar, tentará vingar-se, e sabendo que não preza a vida de qualquer um em nosso Universo, acredito que irá tentar exterminar à todos.
- Concordaria com seu pedido, majestade. – Atron olhou para cima, imaginando que um lemântico não viveria mais que duzentos anos. – Porém deveria saber que é impossível. Nossa espécie não tem a longevidade dos maithens.
- Não, não tem. Porém ambos sabem como viemos até o centro da galáxia da Via Láctea. Pelo teletransporte espiritual. Suas almas deixaram seus corpos para trás em Égon e foram teletransportadas por 30.000 anos-luz até aqui, e fixadas em clones.
Liany olhou para o próprio corpo rejuvenecido, clonado, e concordou:
- Sim, sim... Então a ideia é que sempre mudaremos nossos espíritos para clones novos, quando ficarmos velhos, pela Eternidade e além?
Martogh mudou o tom de verde de seu corpo de lesma.
- Esta é uma possibilidade. Ou, quando estiverem morrendo, podem assumir o corpo de outro ser de outra raça, ou até mesmo de um animal superior. Dar-lhe-eis o dom da mudança espiritual para que cumpram a vigilância de Zonos. Eu mesmo poderia vigiá-lo, mas sabem que tenho de voltar ao meu império, tenho de voltar ao meu palácio em Tarínia, e ninguém além de mim pode cuidar adequadamente de meu povo.
Atron confirmou as palavras do triskaj com a cabeça.
- Sim, entendemos. Volte para o seu povo, grande mestre. Nós não temos mais um império ou um povo que nos acolha. Leman, nosso belo planeta capital, nada mais é agora que um planeta morto. Destruído totalmente pelas hordas bárbaras de Zonos.
- Ajoelhem-se e rezem ao Grande Deus e à Grande Deusa.
Assim o fizeram. Foi quando Martogh, o “filho-dos-deuses” como era conhecido entre os seus, concedeu o dom da mudança de corpos aos antigos reis de Leman, na esperança que vigiassem o demônio Zonos até que se descobrisse uma maneira de destruí-lo. Pois ele representava o mal propriamente dito.

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