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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um conto Curto: Paraíso Perdido


Paraíso Perdido

A pequena nave desacelerou. Descrevendo um arco, desceu através da densa atmosfera daquele belo mundo até sua superfície. Pousou suavemente no interior do maior continente do planeta. Duas pessoas, bem equipadas e em trajes de segurança bastante reforçados, desceram pela rampa. Analisaram o lugar com pequenos aparelhos sensores.
        
O lugar onde estavam era como um imenso e maravilhoso jardim. Um relvado infinito estendia-se a perder de vista, bem cuidado. Flores de muitas cores abundavam. Árvores esparsas estavam carregadas de frutas das mais diversas matizes.

Aquele era o planeta que os terráqueos chamaram de Shangri-lá, e colonizaram com avidez, por suas qualidades visíveis. Mas o paraíso revelou-se traiçoeiro, e agora toda a população de colonos estava morta. Por quê?

Era o que aqueles dois cientistas vieram descobrir. Daijiro Sato e Collin McElis. Arriscaram suas vidas e desceram no pequeno planeta para saber o que matara oitocentas mil pessoas em questão de minutos.

         - Não há vírus ou qualquer outro agente contagiante na atmosfera, Collin.
        
         - A Equipe de Pesquisas da Deneva já tinha analisado todos os possíveis vírus ou outros seres microscópicos por aqui, Sato, sabe disso.

         - Foi apenas um comentário retórico, Collin. Resolvi conferir com meus próprios olhos.

         Analisaram pessoalmente, com o farto equipamento portátil que traziam, os corpos mais próximos, já em decomposição. Havia cadáveres espalhados por quilômetros naquela pequena vila de colonos. Não havia sinais de violência, não havia nada na comida que provocasse intoxicação, a atmosfera era melhor que a da Terra... E a pergunta persistia: do que morreram os colonos de Shangri-lá?

         - Captei algo estranho, Collin. Veja, o espectro aponta para o vermelho na faixa de neutrinos provenientes do sol deste planeta.

         - São apenas emissões comuns durante uma tempestade solar mais intensa... Neutrinos não tem massa, não podem interagir com um corpo... Mas, veja, observe a tela de monitoramente de radiação gama... Está nula... O planeta é perfeito! Veja o gráfico de composição atmosférica! Perfeita também! Shangri-lá é um paraíso completo, aquelas pessoas simplesmente não podiam ter morrido!

         Horas se passaram e os cientistas analisavam tudo o que podiam, e nada aparecia em seus sofisticados equipamentos que poderia dizer o que havia de errado no planeta. A nave-mãe de onde vieram, a Astronave de Pesquisas Deneva, entrou em contato. A resposta de Daijiro foi soturna:

         - Não encontramos nada, absolutamente nada, que possa ter exterminado uma população de oitocentas mil pessoas. Não há nada de errado com Shangri-lá! Os cadáveres estão tão sãos que era para todos levantarem, pularem e saírem dançando... Simplesmente não podem estar mortos!
         O Comandante da Deneva foi enfático:

         - Não é possível! Continuem pesquisando! Tem de haver uma resposta! McElis, Sato, estão me ouvindo?

         Mas não estavam. Ambos também caíram mortos.

2 comentários:

  1. Meu Dios... termine esse conto!
    não é possivel que acabou!
    Quero sabe o que havia de errado no planeta!
    Para de ser mal!
    Amei mas quero mais!
    kk bjs
    http://leituradeouro.blogspot.com/

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  2. Olha só... isso daria um livrão, hein!
    Adorei o conto. Parabéns!
    Bjs.
    (A propósito, aqui perto da minha casa tem um Hotel chamado Shangri-lá, para alguns, o paraíso, para outros, a morte! kkkkkkkkkkkkkk )

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